giovedì 9 ottobre 2014

Testimonianza: i coniugi brasiliani As Zamberline su sessualità e fecondità

La settima Congregazione generale, che ha per tema “Le sfide pastorali circa l’apertura alla vita”, si è aperta stamattina con la testimonianza dei coniugi Arturo e Hermelinda As Zamberline, responsabili di Équipe Notre-Dame per la super-regione del Brasile, presenti al Sinodo come uditori.

Sua santidade papa Francisco, eminentíssimos senhores cardeais, excelentíssimos senhores bispos, reverendíssimos senhores padres, prezados senhores e senhoras,

Inicialmente, queremos registrar nossa gratidão ao Santo Padre pela confiança em nós depositada ao nos convocar. Estamos imensamente honrados. Contudo, não escondemos nosso temor por tamanha responsabilidade. Desde já dizemos: estamos aqui como casal, trazendo nossa vivência familiar e pastoral. Não somos teólogos, nem especialistas no assunto. Somente a confiança em Deus nos tranquiliza.

Somos Hermelinda e Arturo, brasileiros, casados há 41 anos. Temos 03 filhos, 01 nora e 01 neta. Pertencemos ao Movimento das Equipes de Nossa Senhora desde 1994, e atualmente estamos responsáveis pelo Movimento no Brasil, cujo carisma é a espiritualidade conjugal, existe desde 1938 e está presente em 70 países. Atualmente somos 137.200 membros no mundo, dos quais 45.500 estão em nosso país.

Foi-nos solicitado falar sobre "A abertura dos cônjuges à vida", texto que consta da 3ª Parte do Instrumentum Laboris, capitulo I. Iniciamos com uma citação da Sagrada Escritura:

"Deus criou o ser humano à sua imagem. Homem e Mulher Ele os criou. E Deus abençoou-os e disse-lhes: Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a!" (Gn 1, 27-28)

Deus nos criou homem e mulher, para que nos unamos numa só carne, para que nos amemos com o amor que vem dEle mesmo, para que nos construamos mutuamente através desse amor e para que geremos vida1. A nenhum casal é permitido guardar para si as graças e os frutos maravilhosos da vida matrimonial. Relembrando a missão do nosso Movimento, ajudar os casais a se santificarem, Padre Henri Caffarel, nosso fundador, afirma: "nenhum casal tem o direitode ser estéril"2. Logicamente, esterilidade não se restringe a não gerar filhos. Nós a entendemos como uma postura deliberadamente fechada ao dom criativo de Deus, que se expressa nas diversas dimensões do amor conjugal. Ao transmitir a seus descendentes a vida humana, o homem e a mulher, como cônjuges e pais, cooperam de forma única na obra do Criador3.

O ato sexual é legítimo, querido e abençoado por Deus, e o prazer que dele decorre contribui para a alegria de viver e para a estruturação sadia da personalidade. É a expressão do amor, que no começo pode ser paixão, mas que deverá humanizar-se cada vez mais. Os casais que fazem amor são os que expressam com o corpo o que lhes vai ao coração. Para chegar à harmonia, é preciso saber cultivar o desejo e até mesmo um erotismo sadio. É preciso continuar apaixonados e estar atentos um ao outro4.

A maneira de administrar a vida sexual é muito importante para a humanização do ser humano. Padre Caffarel propõe um percurso fascinante: da sexualidade ao amor. O casal é o lugar onde se articulam as três funções da sexualidade: a função relação, a função prazer e a função fecundidade. O casal se constrói ao integrar de forma equilibrada essas três dimensões.

A sexualidade é vivida na relação com o próximo e com Deus. É chamada a tornar-se uma linguagem de amor, de comunhão e de vida5.

Algo se impõe: é absolutamente necessário guiar os casais para a perfeição humana e cristã da relação sexual. A sexualidade é um fator de santificação, e atualmente precisa ser salva do erotismo doente que reduz o ser humano a uma única dimensão6.

A geração de filhos é gesto sublime de amor pela doação da vida. É possibilitar a um novo ser a extasiante aventura da vida, do amor, da descoberta, do encontro e do mergulho final no coração de um Deus que é suprema realização de todo ser. O casal não é fecundo só porque gera filhos, mas porque se ama e, amando-se, abre-se à vida. Diferente dos que, por livre escolha, egoisticamente, decidem não acolher a vida7. "A tarefa fundamental do matrimônio e da família é estar a serviço da vida"8 e, por isso, "qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida"9.

Por razões justas, sem egoísmo, os esposos podem querer espaçar o nascimento dos filhos, visando uma maternidade e paternidade responsáveis10. Continência periódica e regulação da natalidade com base em auto-observação estão em acordo com os critérios objetivos da moralidade11.

Dada a seriedade do ambiente no qual nos encontramos, temos que admitir sem medo que muitos casais católicos, mesmo os que procuram viver seriamente o seu matrimônio, não se sentem obrigados a usar apenas os métodos naturais. Nas Equipes de Nossa Senhora não é diferente. Devemos acrescentar ainda que geralmente não são questionados pelos confessores. Por um lado, os casais estão abertos à vida e rejeitam o aborto, isto é fato. Por outro, não percebemos nas pregações e atendimentos espirituais a insistência na doutrina da Humanae Vitae.

O controle da natalidade através dos métodos naturais teoricamente é bom; porém, na cultura atual nos parece carente de praticidade. Casais, principalmente jovens, vivem um ritmo de vida que não lhes permite praticar esses métodos, uma vez que demandam tempo para treinamento, e tempo é produto raro no mundo em que vivemos. E o pior: por ser superficialmente explicado e, por isso mesmo, mal utilizado, o método natural ganha a fama injusta de ser inseguro e assim muitas vezes ineficiente. Portanto, mais uma vez com sinceridade admitimos que não é seguido pela maioria dos casais católicos.

Como o controle da natalidade tem se mostrado uma necessidade, os casais, na sua grande maioria, não rechaçam o uso de outros meios contraceptivos. Em geral, não os consideram como um problema moral. Devemos considerar, ainda, que as relações sexuais estão orientadas à transmissão da vida, mas também ao serviço do amor conjugal. "Não há nisso nada de surpreendente, tendo em vista as exigências da lei quanto à força do instinto sexual. Mas o que não é normal é que um grande número de casais católicos está mergulhado nesta angústia"12.

O Movimento das ENS elaborou um tema de estudo, anos atrás, intitulado "Evangelizar a Sexualidade". Nesse documento constatamos a disparidade entre a doutrina moral e a práxis do casal. Por se tratar de um assunto importante, iniciou-se no Movimento um estudo baseado nas catequeses da Teologia do Corpo, de São João Paulo II, intitulado "A Teologia da Sexualidade".

Santo Padre, padres sinodais, senhoras e senhores, se pelo menos os casais encontrassem luz e suporte junto ao clero já seria um grande alento! Muitas vezes os conselhos contraditórios só agravam sua confusão. Pedimos, apresse-se o magistério em dar aos padres e aos fiéis as grandes linhas de uma pedagogia pastoral que ajude a adotar e observar os princípios acordados pela Humanae Vitae13.

É necessário e urgente a prolação de uma orientação fácil e segura, que responda às exigências do mundo atual, sem ferir o essencial da moral católica que precisará ser amplamente difundida.

Terminamos reiterando nossa total e incondicional fidelidade a Jesus Cristo, através do Santo Padre e da Igreja.

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1 cf. Henri Caffarel, Espiritualidade Conjugal, 22.

2 Sacramento, Casamento do dia a dia, 39.Henri Caffarel,

3 cf. CIC, 372.

4 Casamento, Sacramento do dia a dia, 28-29.cf. Henri Caffarel,

5 cf. Equipes de Nossa Senhora, Padre Caffarel: Profeta do Matrimônio, 35.

6 Profeta do Matrimônio, 31.cf. Henri Caffarel,

7 Equipes de Nossa Senhora, Casamento, Sacramento do dia a dia, 38.

8 FamiliarisConsortio, 28.

9 Humane Vitae, 11.

10 cf. CIC 2368.

11 cf. CIC 2370.

12 Henri Caffarel, Carta Mensal das ENS, outubro 1968.



13 Equipes de Nossa Senhora, Padre Caffarel: Profeta do Matrimônio, 57.

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